Cada grau a mais faz a venda de cerveja subir 5%, mostra Scanntech
Estudo cruza vendas do varejo com dados do Inmet: água, isotônico e cerveja ganham no calor; vinho e destilados perdem
Estudo cruza vendas do varejo com dados do Inmet: água, isotônico e cerveja ganham no calor; vinho e destilados perdem
Para quem vende bebida no Brasil, a previsão do tempo virou dado de planejamento. Um levantamento da Scanntech, empresa de dados de varejo, calculou que cada 1 °C a mais na temperatura faz crescer 4,1% o volume das bebidas sensíveis ao clima. Na cerveja, o efeito é de 5,0% por grau. O estudo foi divulgado pela revista Engarrafador Moderno em 29 de setembro, em meio a uma onda de calor que levou Belo Horizonte a 36 °C, a maior marca do ano na capital mineira, segundo o Inmet, citado pelo portal BHAZ.
A Scanntech, que diz captar 85% do varejo alimentar do país, cruzou as vendas de janeiro de 2022 a março de 2026 com registros de cerca de 600 estações meteorológicas do Inmet. No grupo que ganha com o calor, a água lidera (+5,7% por grau), seguida de isotônico (+5,4%), cerveja (+5,0%), gelo (+4,9%) e energético (+3,8%). Chá pronto, suco, água de coco e refrigerante também sobem, entre 2,9% e 3,4%. No grupo oposto, vinho e conhaque recuam 3,2% a cada grau, a tequila cai 2,4% e o licor, 1,1%; cachaça, whisky e vodka também tendem a perder espaço nos dias quentes.
O efeito se soma: segundo o estudo, 3 °C a mais correspondem a cerca de 12,8% de volume extra nas bebidas que respondem bem ao calor, e o impacto de cada grau é mais forte perto dos 30 °C.
Com um El Niño de intensidade elevada previsto para os próximos meses, o clima deixa de ser um imprevisto operacional e passa a ser uma premissa de planejamento.Felipe Passarelli, da Scanntech, à Engarrafador Moderno
O Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral de Minas Gerais (SindBebidas-MG) usa o mesmo levantamento. Ao BHAZ, o superintendente Cristiano Lamego disse que, em episódios de calor de 3 °C a 5 °C acima da média, o setor no estado registra ou projeta alta de 12% a 20% no volume vendido, e que os vinhos podem recuar perto de 10%. O pano de fundo é o Painel El Niño 2026-2027, de Inmet, Inpe e outros órgãos federais, que vê alta probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.
O clima também entrou nas planilhas do mercado financeiro. Em análise sobre a Ambev, dona de Brahma e Skol, o Citi projeta alta de 5,5% no volume de cerveja e cita clima mais favorável e consumo ligado ao futebol entre os apoios, segundo o E-Investidor, do Estadão. O Safra, em relatório descrito pelo portal Suno, espera avanço de 3% no volume da divisão Cerveja Brasil no terceiro trimestre, sobre uma base fraca do mesmo período de 2025. São estimativas: a companhia ainda não divulgou o resultado.
Fontes: Engarrafador Moderno (29/09/2026), BHAZ (29/09/2026), Estadão E-Investidor (29/09/2026), Suno (30/09/2026).