“Grandes bebidas aproximam pessoas.”

Notícia Foto: Divulgação/Crown Royal

EUA proíbem a entrada de vinhos e destilados engarrafados do Canadá

A proibição vale desde 29 de setembro e é o capítulo mais recente da guerra comercial entre os dois vizinhos

Por Redação Bebidário Equipe do Bebidário 3 min de leitura
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Desde 29 de setembro, vinhos, destilados e cervejas de malte engarrafados no Canadá não podem mais entrar nos Estados Unidos. A proibição foi anunciada em 8 de setembro, numa proclamação do presidente Donald Trump, e é o passo mais recente da disputa comercial entre os dois vizinhos, segundo a The Spirits Business. A medida também atinge alguns laticínios e motocicletas.

Para justificar a proibição, a proclamação fala em discriminação continuada contra o comércio americano de bebidas alcoólicas. É uma resposta às províncias canadenses: oito delas tiraram as bebidas americanas das prateleiras em março de 2025, depois que Trump impôs tarifa de 25% sobre produtos do Canadá. Em agosto de 2026, os EUA aplicaram tarifas de 50% sobre mais produtos canadenses, e em setembro o Canadá respondeu com medidas equivalentes, de valor igual.

A brecha do granel

A regra tem uma exceção que pesa para as marcas grandes. Segundo a Wine Spectator, o vinho a granel, em recipientes de mais de 4 litros, continua liberado, mas paga tarifa de 50%, e o destilado a granel não sofre nem proibição nem tarifa. Assim, marcas como Crown Royal e Fireball, que importam o destilado a granel e engarrafam nos Estados Unidos, continuam chegando ao consumidor americano.

Os números mostram o tamanho da briga. Os EUA foram o destino de 93% das exportações canadenses de destilados em 2025, segundo a The Spirits Business. No sentido contrário, as exportações americanas de destilados para o Canadá caíram 70% entre março e dezembro de 2025, de US$ 232 milhões para US$ 72 milhões, e o Canadá, que era o segundo maior mercado dos destilados americanos, caiu para quinto em 2026. As exportações de vinho dos EUA para o Canadá recuaram 87%, de US$ 456 milhões para US$ 60 milhões, de acordo com a Wine Spectator.

No vinho canadense, o efeito direto é pequeno: o Canadá exportou menos de 80 mil caixas de vinho engarrafado para os EUA em 2024, a maior parte de ice wine, feito com uvas congeladas no pé. Já a coalizão americana Toasts Not Tariffs, que reúne 59 entidades de bares, restaurantes, varejo e fornecedores de bebidas, alertou que a proibição vai afetar a hotelaria dos EUA às vésperas das festas de fim de ano e pediu uma solução negociada que devolva os produtos americanos às prateleiras canadenses.

Fontes: The Spirits Business (30/09/2026), Wine Spectator (29/09/2026).