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Especial Foto: Divulgação

Maker's Mark: a cera vermelha que a Justiça dos EUA tratou como marca

Criada por Margie Samuels, a cera que escorre pelo gargalo do bourbon venceu na Justiça uma tequila da Cuervo

Por Redação Bebidário Equipe do Bebidário 4 min de leitura
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Cada garrafa do Maker's Mark sai da destilaria de Loretto, no Kentucky, mergulhada à mão em cera vermelha, que escorre pelo gargalo. A cera não tem função técnica: serve para identificar o bourbon, como lembrou a Associated Press em 2011. Foi justamente isso que a marca defendeu numa briga judicial de nove anos com a tequila da José Cuervo.

Receita queimada, nome inventado

Segundo a Maker's Mark, Bill Samuels Sr. começou a nova destilaria em 1952, no lugar onde ela está até hoje, com a ideia de fazer um whisky de que ele próprio gostasse. Em 1953, queimou a velha receita da família, e sua mulher, Margie Samuels, criou o nome Maker's Mark e o desenho da garrafa. O bourbon usa trigo vermelho de inverno no lugar do centeio que costuma entrar na receita. A primeira garrafa ficou pronta, mergulhada à mão na cera, em 1958. A marca credita a Margie a invenção do turismo do bourbon e diz que ela foi a primeira mulher diretamente envolvida com uma destilaria.

Maker's Mark Whisky · EUA O bourbon de trigo com a cera vermelha Ver a ficha completa →

A briga com a tequila

Segundo a AP, a Cuervo pôs um lacre de cera escorrendo na tequila Reserva de la Familia em 1997, para dar aspecto artesanal. As garrafas chegaram aos Estados Unidos em 2001, num lote de 3 mil a 4 mil unidades, a cerca de US$ 100 cada; o Maker's Mark custava perto de US$ 25. A Maker's Mark processou a Cuervo em 2003. A tequila abandonou a cera, mas a Cuervo pediu na Justiça que a marca do bourbon fosse anulada.

Em 2010, o juiz federal John G. Heyburn II, de Louisville, decidiu que a cera vermelha era uma marca válida e proibiu outras empresas de usar lacre parecido. No recurso, os advogados da Cuervo argumentaram que ninguém confundiria as duas garrafas: a do bourbon é quadrada e tem letras pretas grandes, a da tequila é alta e cilíndrica. Em maio de 2012, o Tribunal de Apelações do Sexto Circuito manteve a proibição, segundo a The Spirits Business. O tribunal entendeu que a Cuervo não diluiu a marca e negou o pedido de indenização da Beam, então dona do Maker's Mark.

Rob Samuels, na época diretor de operações, chamou a decisão de uma confirmação contundente de que a cera vermelha escorrendo é marca registrada. Em 2010, a família já havia lançado o Maker's Mark 46, e em 2025 a destilaria lançou o Star Hill Farm, segundo a marca o primeiro whisky de trigo americano da casa.

Fontes: Maker's Mark (consultado em 19/10/2026), Associated Press (02/12/2011), The Spirits Business (10/05/2012).