Baileys: o licor que nasceu em 45 minutos numa garrafa de tônica
Dois redatores de publicidade misturaram Jameson, creme, açúcar e chocolate em pó em 1973; o licor chegou às lojas em 1974
Dois redatores de publicidade misturaram Jameson, creme, açúcar e chocolate em pó em 1973; o licor chegou às lojas em 1974
O Baileys, o licor de creme mais vendido do mundo segundo o VinePair, nasceu de um problema de negócios. No começo dos anos 1970, a Gilbeys of Ireland, braço irlandês da International Distillers & Vintners (IDV), empresa que depois passou a fazer parte da Diageo, queria um produto novo para exportar e aproveitar uma isenção de impostos oferecida pelo governo da Irlanda, conta o VinePair. A IDV tinha uma pequena marca de whiskey irlandês, e uma empresa do mesmo grupo mantinha uma fábrica de laticínios em Cork que sobrava creme.
Tom Jago, que comandava o desenvolvimento de produtos da IDV em Londres, contratou dois consultores sem experiência com bebidas: os redatores de publicidade David Gluckman e Hugh Seymour-Davies. O primeiro protótipo levou cerca de 45 minutos. Eles compraram numa mercearia uísque Jameson, creme de leite e o achocolatado em pó da Cadbury, misturaram tudo com açúcar e despejaram numa garrafa vazia de tônica Schweppes, segundo o relato de Gluckman reunido pelo VinePair. A dupla recebeu cerca de £ 3 mil pelo trabalho.
O nome precisava soar anglo-irlandês. Gluckman e Seymour-Davies pegaram emprestado o do Baileys Bistro, um restaurante vizinho ao escritório deles no Soho, em Londres. A garrafa foi a mesma do whiskey irlandês Redbreast, que a IDV distribuía, e o rótulo com vacas pastando foi desenhado por Bob Wagner, escolhido entre 20 propostas. Químicos da IDV, num centro de pesquisa nos arredores de Londres, transformaram a receita caseira numa versão que pudesse ser produzida em escala.
A ideia foi apresentada à equipe da Gilbeys em Dublin em novembro de 1973, e o Baileys chegou ao mercado em 1974. Em 1984, já vendia quase 50 milhões de garrafas por ano. A marca de 1 bilhão de garrafas veio em dezembro de 2007, e a de 2 bilhões cerca de 12 anos depois, segundo reportagem do VinePair de 2021. Na época, a produção usava mais de 200 milhões de litros de leite irlandês fresco por ano, e 40% das vendas aconteciam no período de festas de fim de ano.
A paternidade do licor ainda é disputada. Pelo menos cinco pessoas já reivindicaram ou receberam o crédito pela criação: Gluckman, Jago, o químico Mac Macpherson, o assistente dele, Steve Wilson, e o chefe dos dois, David Dand.
Fontes: VinePair (23/12/2021), VinePair (27/09/2019).