Café arábica cai 6,7% em setembro com a safra brasileira no mercado
Contrato de dezembro em Nova York recuou de 311,50 para 290,70 centavos de dólar por libra-peso, segundo a Safras & Mercado
Contrato de dezembro em Nova York recuou de 311,50 para 290,70 centavos de dólar por libra-peso, segundo a Safras & Mercado
O café arábica fechou setembro em queda na bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em dezembro recuou 6,7% no mês, de 311,50 para 290,70 centavos de dólar por libra-peso, segundo balanço da Safras & Mercado publicado em 2 de outubro. Em Londres, o robusta para novembro caiu 2,4% no mesmo período.
No mercado físico brasileiro, o movimento foi parecido. O arábica de bebida boa do Sul de Minas ficou 6,8% mais barato em setembro, e o conilon, 2,9%, segundo a mesma consultoria. O analista Gil Barabach, da Safras, atribui a baixa à melhora no fluxo de oferta: para ele, a safra do Brasil começou de fato a chegar às cooperativas e aos centros de comercialização, com exportações acima de 4 milhões de sacas em agosto e em setembro. Com isso, o mercado trocou a preocupação com falta de café pela percepção de oferta farta.
Os números da Organização Internacional do Café (OIC), divulgados pela Safras em 1º de outubro, mostram o mesmo quadro. Em agosto, o mundo exportou 12,58 milhões de sacas de 60 kg, alta de 15% sobre as 10,95 milhões de agosto de 2025. Nos doze meses encerrados em agosto, os embarques de arábica somaram 81,39 milhões de sacas, queda de 5%, enquanto os de robusta chegaram a 61,05 milhões, alta de 12%. Nos primeiros onze meses da temporada 2025/26, iniciada em outubro, as exportações totais foram de 130,81 milhões de sacas, ante 129,38 milhões no ciclo anterior, avanço de 1,1%.
O recuo não foi em linha reta. Na sexta-feira, 2 de outubro, o arábica voltou a subir em Nova York: o contrato de dezembro ganhou 0,87%, para 290,75 centavos de dólar por libra-peso, e o de março, 1,06%, para 282,55 centavos, segundo o Notícias Agrícolas. O site cita como apoio aos preços a preocupação com o clima durante a florada no Brasil e os estoques certificados de arábica na bolsa ICE, que em setembro estavam no menor nível em 27 anos. No sentido contrário, pesam o dólar forte e a expectativa de uma safra brasileira maior.
Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, disse ao Notícias Agrícolas que o mercado vive um equilíbrio estreito entre oferta e procura. Segundo ele, o Brasil exportou cerca de 16 milhões de sacas nos três primeiros meses do ano-safra, e o consumo interno gira em torno de 1,7 milhão de sacas por mês. O corretor espera que a volatilidade continue até março de 2027, quando o potencial da próxima safra ficará mais claro. No catálogo do Bebidário estão cafés vendidos no Brasil como o 3 Corações Tradicional, o Melitta Tradicional e o Orfeu Clássico.
Fontes: Safras & Mercado (02/10/2026), Safras & Mercado (01/10/2026), Notícias Agrícolas (02/10/2026).