“Grandes bebidas aproximam pessoas.”

Notícia Foto: Divulgação/William Grant & Sons

Dona da Glenfiddich lucra 13% menos com a crise do whisky escocês

William Grant & Sons fechou 2025 com lucro de £ 337 milhões; na Escócia, destilarias param alambiques por falta de demanda

Por Redação Bebidário Equipe do Bebidário 4 min de leitura
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A William Grant & Sons, empresa familiar escocesa dona de Glenfiddich, Monkey Shoulder, Grant's e Hendrick's, fechou 2025 com lucro antes de impostos de £ 337 milhões, 13% abaixo dos £ 388 milhões de 2024. O faturamento recuou 4%, para pouco menos de £ 1,76 bilhão. Os números, do ano encerrado em 31 de dezembro, foram publicados em 30 de setembro pela The Spirits Business e pelo jornal The Scotsman.

A empresa atribuiu o resultado a um mercado difícil durante todo o ano, com pressões geopolíticas e comerciais e demanda fraca do consumidor. O volume total caiu na comparação anual, com desempenho desigual entre as marcas. Mesmo assim, a companhia manteve os investimentos: concluiu em 2025 a compra das marcas The Famous Grouse e Naked Malt, da Edrington, e segue ampliando a destilaria de Girvan, na costa oeste da Escócia. Ao Scotsman, o diretor financeiro, Graeme Jenkins, descreveu 2025 como mais um ano desafiador para os destilados e disse que a confiança da empresa nos fundamentos de longo prazo do setor continua forte.

Alambiques parados

O balanço sai numa semana de más notícias para o whisky escocês. A Holyrood Distillery, de Edimburgo, suspendeu a produção por tempo indeterminado, informou a The Spirits Business. Aberta em 2019, ela recebe cerca de 40 mil visitantes por ano, e as visitas respondem por metade da receita; os tours continuam. O cofundador Rob Carpenter disse que a indústria produz hoje algo como um terço do volume habitual. A GlenWyvis, nas Highlands, anunciou que vai nomear administradores judiciais, e trabalhadores de Cameronbridge, a maior destilaria da Diageo, entraram em greve diante da possibilidade de demissões.

Por que a demanda caiu

A retração vem depois de 15 anos de crescimento, lembra o portal EuQueroInvestir, com base em reportagem do jornal britânico The Guardian. Entre os motivos citados estão estoques domésticos formados na pandemia, a preocupação crescente com saúde, preços que subiram nos anos bons e as tarifas americanas de 2025: segundo a Scotch Whisky Association, elas derrubaram em 15% as exportações de whisky escocês para os Estados Unidos, antes de serem retiradas no início deste ano. Como o scotch precisa envelhecer ao menos três anos em barril de carvalho na Escócia, as destilarias decidem hoje quanto produzir para uma demanda que só vai existir anos depois.

Fontes: The Spirits Business (30/09/2026), The Scotsman (30/09/2026), EuQueroInvestir (29/09/2026).