Beefeater: o gin que leva o nome dos guardas da Torre de Londres
Criado por um farmacêutico que comprou uma destilaria em Chelsea em 1863, o gin ainda segue uma receita de nove botânicos registrada em 1895
Criado por um farmacêutico que comprou uma destilaria em Chelsea em 1863, o gin ainda segue uma receita de nove botânicos registrada em 1895
O homem de casaco vermelho no rótulo do Beefeater não é um personagem inventado. Ele representa os Yeoman Warders, a guarda real que protege a Torre de Londres e que os ingleses apelidaram de beefeaters; o gin leva o nome deles, segundo o Difford's Guide. Já no século 19, aquele uniforme vermelho lembrava a velha Londres e o orgulho britânico, observa o verbete sobre a marca na Oxford Companion to Spirits and Cocktails, assinado por Aaron Knoll.
James Burrough nasceu em 1835 em Ottery St. Mary, no condado de Devon, e se formou farmacêutico em Exeter. Em 1855 foi para o Canadá, onde abriu uma farmácia em Toronto com um sócio, e voltou à Inglaterra alguns anos depois. Em 1863, pagou 400 libras pela John Taylor & Son, uma destilaria de gin fundada em 1820 na Cale Street, em Chelsea. É esse ano de 1820 que aparece até hoje na garrafa. Os cadernos de Burrough mostram que ele já fazia gin antes disso: um deles, de 1849, traz a fórmula de um gin de groselha-preta.
O nome Beefeater aparece pela primeira vez nos papéis da empresa em 1876, ao lado de outros gins da casa. Burrough morreu em 1897, e os filhos assumiram o negócio. Segundo a Oxford Companion, a marca só virou prioridade em meados dos anos 1920; até então, a firma vendia sobretudo álcool a granel e whisky.
No início do século 20, a família levou a destilaria para Lambeth e, em 1958, para Kennington, no sul de Londres, perto do estádio de críquete Oval, onde o gin é feito até hoje. As exportações para os Estados Unidos começaram em 1917, e a marca cresceu de verdade depois da Segunda Guerra: no começo dos anos 1960, três de cada quatro garrafas de gin importadas pelos americanos eram Beefeater, segundo a Oxford Companion. A família vendeu a empresa à Whitbread em 1987, e a Pernod Ricard comprou a marca em 2005.
A receita segue um caderno de fórmulas de 1895: zimbro, raiz e semente de angélica, coentro, alcaçuz, amêndoa, raiz de íris e cascas de limão e de laranja-amarga de Sevilha, nove botânicos ao todo. Eles ficam 24 horas em infusão no álcool neutro, dentro dos alambiques, antes da destilação. Foi essa etapa que deu nome ao Beefeater 24, lançado em 2008, que soma à receita casca de toranja e chás verdes do Japão e da China.
No catálogo do Bebidário também estão as versões de fruta Beefeater Pink Strawberry e Beefeater Blackberry.
Fontes: Oxford Companion to Spirits and Cocktails (2021), Difford's Guide (acesso em 29/10/2026).