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Champagne desiste de redesenhar sua área de produção após 23 anos

Sindicato dos vinicultores encerrou nesta quarta a revisão aberta em 2003; o mapa atual, de 1927, fica como está

Por Redação Bebidário Equipe do Bebidário 4 min de leitura
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O Syndicat Général des Vignerons de la Champagne (SGV), organismo que defende e administra a denominação de origem, decidiu na quarta-feira, 21 de outubro, encerrar a revisão da área onde o champanhe pode ser produzido. O estudo começou em 2003, quando as vendas subiam, e poderia incluir comunas novas e tirar outras. Com o fim do processo, segue valendo o mapa de 1927, que cobre 319 localidades a leste de Paris, segundo a France 24. A decisão foi tomada pelo conselho de administração do sindicato, a portas fechadas, em Épernay, informou a France 3.

Clima e mercado mudaram

Em comunicado, o SGV afirmou que as consequências da mudança climática, as incertezas econômicas, as tensões geopolíticas e a mudança de hábito dos consumidores alteraram profundamente a realidade da região, e que uma nova delimitação comprometeria a denominação por décadas. Segundo a France 3, a temperatura média na Champagne subiu cerca de um grau, com efeitos nos solos, na insolação e nas chuvas. Neste ano, a região teve a colheita mais precoce já registrada, depois de um verão excepcionalmente quente, e as regras de teor alcoólico precisaram ser flexibilizadas por causa do açúcar alto nas uvas, de acordo com a France 24.

O mercado também ficou longe do que se previa. Em 2003, o setor projetava chegar a 340 milhões de garrafas vendidas; entre setembro de 2025 e setembro de 2026, a Champagne expediu 271 milhões, segundo a France 3. As vendas caíram por três anos seguidos, na França e fora dela, com tarifas e restrições comerciais pesando nas exportações. A fatia exportada passou de 41% das expedições em 2003 para 58% em 2025 e responde por quase dois terços do faturamento do setor.

Para o presidente do SGV, Maxime Toubart, antes de redesenhar a área é preciso definir que champanhe a região quer produzir no futuro. O sindicato diz que a decisão não questiona a de 2003 nem o trabalho feito desde então, mas que as bases do projeto precisam ser reexaminadas.

O que fica em aberto

Desde 2011, especialistas do INAO, o instituto francês das denominações de origem, estudavam a delimitação com discrição e deveriam entregar suas conclusões até o fim de 2026. Uma lista informal de comunas chegou a circular: Germaine e Orbais, na Marne, eram citadas para sair da área; Bouilly, Laines-aux-Bois e Saint-Germain, no Aube, acreditaram por um tempo que poderiam entrar. O SGV afirma não conhecer as áreas nem as parcelas envolvidas. Resta uma dúvida jurídica: em 1999, a comuna de Fontaine-sur-Ay entrou na área por decisão do Conselho de Estado, depois de um processo, e outras podem tentar o mesmo caminho, segundo a France 3.

Para quem compra champanhe no Brasil, o mapa que define de onde podem vir rótulos como o Moët & Chandon Brut Impérial e o Veuve Clicquot Brut continua o mesmo de quase um século atrás.

Fontes: France 24 (21/10/2026), France 3 Régions (21/10/2026).