Fernet-Branca: o amargo de 27 ervas criado em Milão em 1845
A receita secreta passa de geração em geração na família Branca, e a infusão de ervas descansa um ano em barris de carvalho
A receita secreta passa de geração em geração na família Branca, e a infusão de ervas descansa um ano em barris de carvalho
O Fernet-Branca nasceu em Milão, em 1845. Segundo a Fratelli Branca Distillerie, foi naquele ano que Bernardino Branca inventou a bebida, produzida no começo na Corso di Porta Nuova. Desde então, diz a empresa, a fórmula nunca foi alterada e segue em segredo, passada de geração em geração.
A base do fernet são 27 ervas, raízes e especiarias, que dão a cor marrom ao líquido. A empresa revela só alguns exemplos e suas origens: ruibarbo da China, genciana da França, galanga da Índia ou do Sri Lanka e camomila da Europa ou da Argentina. As ervas são postas em infusão no álcool, e a mistura descansa um ano em barris de carvalho. A marca sugere tomar o fernet como aperitivo, puro ou com gelo, no drinque clássico Hanky Panky ou misturado com cola, chinotto ou ginger ale.
A empresa cresceu com a família. Stefano Branca entrou em 1862 e levou os produtos a novos mercados. Quando ele morreu, em 1891, a viúva, Maria Scala, comandou a casa até o filho mais velho, Bernardino, atingir a maioridade. Em 1895, o artista Leopoldo Metlicovitz criou a ilustração do mundo da Branca, que é até hoje o logotipo da empresa. Em 1907, já com Dino Branca no comando, a produção mudou para a Via Resegone, também em Milão.
A bebida saiu cedo da Itália: uma fábrica foi aberta em Saint-Louis, na Alsácia, em 1930, e a Fratelli Branca Destilerías foi fundada em Buenos Aires em 1941. A unidade da Alsácia virou museu em 2004. Em 1965, Pierluigi Branca criou a Brancamenta, que aparece no catálogo do Bebidário como Branca Menta. Desde 1999, a empresa é comandada por Niccolò Branca.
A fábrica histórica da Via Resegone abriga desde 4 de junho de 2009 a Collezione Branca, com mais de 100 m². A coleção levou dez anos para ser montada e reúne alambiques, almofarizes, calendários de 1886 a 1913, cartazes de artistas como Metlicovitz e Cappiello, entre eles a águia de Metlicovitz, e garrafas de mais de 60 anos de produção, incluindo uma das primeiras. Em 2025, entrou no registro de museus de empresa reconhecidos pela região da Lombardia.
Fontes: Fratelli Branca Distillerie (site oficial, 07/10/2026).