Amarula: o licor da fruta que, diz a lenda, embebeda elefantes
Cientistas fizeram as contas sobre os elefantes bêbados de marula em 2006 e concluíram que é mito; um estudo genético de 2020 reabriu a dúvida
Cientistas fizeram as contas sobre os elefantes bêbados de marula em 2006 e concluíram que é mito; um estudo genético de 2020 reabriu a dúvida
O elefante do rótulo do Amarula não está lá por acaso. O licor sul-africano é feito da marula, fruta de uma árvore nativa da África, parente da manga, e a marula é a protagonista de uma das histórias mais repetidas da savana: a de que os elefantes comem a fruta fermentada no chão e ficam bêbados.
Segundo o site oficial da marca, a bebida existia primeiro como destilado de marula, lançado em 1983 pela Southern Liqueur Company, da África do Sul. Em 1989, a empresa acrescentou creme à receita, e o Amarula como licor de creme chegou às prateleiras sul-africanas. A marca pertencia à Distell, comprada em 2023 pela Heineken Beverages, que levou junto o Amarula.
A ideia dos elefantes embriagados é antiga. Relatos de viajantes de por volta de 1839 já registravam a crença zulu de que os elefantes aqueciam a cabeça com frutas fermentadas, contou o fisiologista Steve Morris, da Universidade de Bristol, no Reino Unido. Em 2006, ele e os colegas David Humphreys e Dan Reynolds publicaram na revista *Physiological and Biochemical Zoology* um estudo que fez as contas.
Supondo uma fruta fermentada com 7% de álcool, um elefante teria de tomar cerca de 27 litros de suco de marula para se embebedar, o equivalente a mais de 1.400 frutas bem fermentadas, e de uma vez só, segundo o resumo divulgado pela universidade. Os pesquisadores lembraram ainda que os elefantes preferem arrancar a fruta da árvore, chegando a derrubá-la para isso, mesmo com frutas podres no chão, e que a comida passa pelo aparelho digestivo em 12 a 46 horas, pouco tempo para fermentar. A conclusão: o elefante bêbado é muito improvável.
Em 2020, um estudo da Universidade de Calgary, no Canadá, publicado na *Biology Letters*, mostrou que os elefantes africanos têm uma versão sem função do gene ADH7, ligado à digestão do álcool, segundo a Science News. Para a antropóloga Mareike Janiak, uma das autoras, isso pode tornar mais difícil para eles metabolizar o etanol, e o cálculo de 2006, baseado na fisiologia humana, pode não valer para elefantes. A ecóloga Phyllis Lee, que estuda elefantes no Quênia desde 1982, disse à revista que nunca viu um elefante alto.
No catálogo do Bebidário estão o Amarula Cream e o Amarula Ethiopian Coffee.
Fontes: Universidade de Bristol (03/01/2006), Science News (01/05/2020), Amarula (site oficial, 26/10/2026).