Campari: o bitter de Novara tingido com inseto por quase 150 anos
Gaspare Campari criou a bebida em 1860 num café do Piemonte; o vermelho vinha do carmim, corante feito da cochonilha, até 2006
Gaspare Campari criou a bebida em 1860 num café do Piemonte; o vermelho vinha do carmim, corante feito da cochonilha, até 2006
O vermelho do Campari, o bitter italiano que vai no Negroni e no Americano, tem uma origem pouco conhecida: durante quase 150 anos, a cor veio do carmim, um corante feito de cochonilhas, pequenos insetos esmagados. A história começa num café do Piemonte, em 1860.
Gaspare Campari nasceu em 1828 em Cassolnovo, na província de Pavia, na Lombardia, décimo filho de um agricultor, segundo o Difford's Guide. Ainda adolescente, foi trabalhar em Milão; depois se mudou para Novara, a cerca de 50 km a oeste, e abriu seu próprio café. Foi ali que, em 1860, criou a bebida, que de início chamou de Bitter all'uso d'Hollanda, ou bitter à moda holandesa, inspirado num licor da Holanda.
Novara reivindica a invenção. Em janeiro de 2025, a cidade instalou uma placa no centro histórico, perto do ponto conhecido como Angolo delle Ore, lembrando que ali funcionava o Caffè dell'Amicizia, com um laboratório anexo, onde Gaspare criou a mistura, informou o jornal VerbanoNews. Segundo o jornal, ele tinha arrendado o café em 1850.
Gaspare depois se mudou para Milão e, em setembro de 1867, abriu um café na recém-construída Galleria Vittorio Emanuele, ao lado do Duomo. Ele morreu em 1882, e o negócio passou ao filho Davide, que com o irmão Guido transformou a bebida em indústria: a primeira fábrica abriu em Milão em 1892 e, em 1904, a produção foi para Sesto San Giovanni, já mecanizada, conta o Difford's Guide.
Davide também levou a marca para a arte. Entre as décadas de 1920 e 1940, artistas como Fortunato Depero, Marcello Dudovich e Leonetto Cappiello fizeram cartazes do Campari, e em 1932 Depero desenhou a garrafinha em forma de cone do Campari Soda. Em 1987, segundo o mesmo guia, a empresa construiu uma unidade de engarrafamento em São Paulo.
Por quase um século e meio, o tom vermelho veio do carmim. Em 2006, a empresa trocou o corante natural por um método artificial, segundo a Bloomberg, citada pelo site The Takeout. Garrafas anteriores a esse ano podem ter o corante de inseto, e ele ainda pode ser usado em alguns países, segundo o site, que não confirma quais. Para quem quer conferir, o carmim aparece no rótulo com nomes como cochonilha, ácido carmínico ou vermelho natural 4.
O Campari está no catálogo do Bebidário, na categoria de licores.
Fontes: Difford's Guide (acesso em 25/10/2026), VerbanoNews (22/01/2025), The Takeout (18/06/2018).