
Os vinhos mais caros do mundo: recordes de leilão e preço médio
Das garrafas que passaram de US$ 800 mil em leilão aos rótulos que custam dezenas de milhares de dólares em média

Das garrafas que passaram de US$ 800 mil em leilão aos rótulos que custam dezenas de milhares de dólares em média
Este guia separa duas medidas: o recorde pago por uma garrafa em leilão, que depende de um lance num dia, e o preço médio que o mercado pede hoje pelos rótulos mais caros. No fim, os vinhos mais caros do catálogo do Bebidário.
Os recordes são os valores divulgados pelas casas de leilão, conferidos em duas publicações sempre que possível, em dólar, como foram publicados. A conversão em reais é aproximada, pelo câmbio PTAX do Banco Central de 24/09/2026 (US$ 1 = R$ 5,1795), sem corrigir a inflação desde a venda.
Uma garrafa de 750 ml de Romanée-Conti 1945, do Domaine de la Romanée-Conti, foi vendida por US$ 812.500 (cerca de R$ 4,2 milhões) no leilão La Paulée da Acker, em 18 de março de 2026, segundo a The Drinks Business e a Forbes. Veio da adega de Robert Drouhin. Segundo a casa de leilão, a safra teve cerca de 600 garrafas e foi a última das vinhas antigas, anteriores à filoxera, replantadas em 1947. A mesma garrafa já tinha batido recorde em 2018: US$ 558.000 (cerca de R$ 2,9 milhões) na Sotheby's de Nova York, em 13 de outubro, contra um valor previsto de US$ 32.000, segundo o Guinness World Records.
Uma garrafa de 6 litros de Screaming Eagle Cabernet Sauvignon 1992, primeira safra da vinícola, saiu por US$ 500.000 (cerca de R$ 2,6 milhões) no 20º Napa Valley Wine Auction, em junho de 2000, segundo a Wine Spectator. Era uma das duas garrafas desse tamanho da safra. O leilão é beneficente.
No mesmo leilão de março de 2026, uma Methuselah (6 litros) de La Tâche 1971, outro grand cru do Domaine de la Romanée-Conti, saiu por US$ 325.000 (cerca de R$ 1,7 milhão), segundo a The Drinks Business.
Uma Impériale (6 litros) de Château Cheval Blanc 1947 foi arrematada por US$ 304.375 (cerca de R$ 1,6 milhão) na Christie's de Genebra, em 16 de novembro de 2010, segundo a swissinfo e a Wine Spectator. A estimativa era de US$ 150.000 a US$ 250.000.
Na Sotheby's de Hong Kong, em 29 de outubro de 2010, três garrafas de Lafite 1869 saíram por US$ 233.972 cada (cerca de R$ 1,2 milhão), segundo a Decanter e a Wine Spectator. A estimativa era de US$ 8.000.
O Wine-Searcher publica o ranking de preço médio por garrafa de 750 ml, com ofertas de lojas do mundo todo. Usamos a lista atualizada em 2 de dezembro de 2025, consultada em 24/09/2026 na cópia do Internet Archive, porque o site não abriu. Segundo o Master of Wine Konstantin Baum, o motor é a escassez: os grands crus da Borgonha são pequenos, não podem crescer e foram retalhados por heranças. O 2º lugar, The Golden Dragon Collection, do Domaine du Comte Liger-Belair (US$ 31.208), ficou fora por falta de descrição numa fonte lida.
O primeiro da lista, a cerca de R$ 249 mil a garrafa. É Pinot Noir do Musigny, grand cru de 10,8 hectares em Chambolle-Musigny, na Côte de Nuits, classificado em 1936, segundo o Wine-Searcher. A Leroy aparece 13 vezes no top 50.
Cerca de R$ 124 mil. É Chardonnay do Bâtard-Montrachet, grand cru de menos de 12 hectares no pé da encosta do Montrachet, na Côte de Beaune. O d'Auvenay aparece 15 vezes no top 50, com o Chevalier-Montrachet logo atrás (US$ 22.301).
Cerca de R$ 122 mil. O vinhedo tem 1,81 hectare e rende cerca de 6.000 garrafas por ano, segundo dados da Bourgogne-wines citados pelo Wine-Searcher; a Forbes fala em 5.000 a 6.000 garrafas, principalmente de Pinot Noir. É o mesmo vinho do recorde 1.
Cerca de R$ 98 mil. O Montrachet tem 7,99 hectares entre Puligny e Chassagne, e só a Chardonnay pode levar o nome, segundo o Wine-Searcher.
Cerca de R$ 95 mil. Mesmo vinhedo do primeiro colocado, de outro produtor. Baum mostra que ele tem nota agregada de 97 pontos no Wine-Searcher e custa menos que o Richebourg de Henri Jayer, de 93 pontos: acima de certo ponto, o preço segue a raridade e a marca.
Cerca de R$ 72 mil. Riesling doce do Mosel, na Alemanha, o único fora da Borgonha no top 10. A lista observa que estilos como o Trockenbeerenauslese não saem todo ano.
Nada chega perto desses valores. Estes são os vinhos e champagnes mais caros que temos.
O Grand Vin do Château Margaux, Premier Grand Cru Classé desde 1855, no Médoc. O corte de 2018 tem 90% de Cabernet Sauvignon e passou em média 21 meses em barricas novas.
O champagne brut principal da casa de Reims, com Pinot Noir, Chardonnay e Meunier e cerca de três anos em cave. Segundo o produtor, pera, maçã verde e brioche.
O brut sem safra da Moët & Chandon, de Épernay, criado em 1869. Segundo a casa, maçã verde e brioche no topo, pera e pêssego no corpo.
Tinto da Puglia feito com Primitivo de vinhas de pelo menos 60 anos, com 12 meses em carvalho. Segundo produtor e especialistas, ameixa e cereja no topo, cacau e café no final. Preço de uma loja só, a Zona Sul.
O brasileiro mais caro da tabela: Merlot e Cabernet Sauvignon do Vale dos Vinhedos, feito só em safras que a Miolo considera excepcionais. Segundo a vinícola, ameixa, figo e cacau. Preço de uma loja só, a Zona Sul.
Os preços do catálogo são de prateleira, pesquisados em 24/09/2026 em Divvino, Zona Sul, Bistek, Savegnago e Giassi, garrafa de 750 ml. Mudam com o tempo e de loja para loja.
Beba com moderação.
Fontes: Forbes (30/03/2026); The Drinks Business (abr/2026); Guinness World Records, recorde de vinho mais caro em leilão; swissinfo/ATS (16/11/2010); Decanter (out/2010); Wine Spectator (03/06/2000, 12/06/2000, 22/11/2010 e 02/04/2026); Wine-Searcher, lista dos 50 vinhos mais caros (02/12/2025, via Internet Archive), páginas de Musigny, Montrachet e Bâtard-Montrachet e artigo de Konstantin Baum MW (17/09/2025); Banco Central do Brasil, PTAX de 24/09/2026; fichas do catálogo; pesquisa de preços do Bebidário em Divvino, Zona Sul, Bistek, Savegnago e Giassi (24/09/2026).