Ypióca: a cachaça cearense de 1846 que ganhou roupa de palha
Criada por um imigrante português em Maranguape, a marca passou por quatro gerações da família Telles antes de ser vendida à Diageo por R$ 900 milhões
Criada por um imigrante português em Maranguape, a marca passou por quatro gerações da família Telles antes de ser vendida à Diageo por R$ 900 milhões
A história da Ypióca começa com um imigrante. O português Dario Telles de Menezes chegou ao Ceará em 1843 e se instalou numa propriedade entre as serras de Maranguape e Aratanha, perto de Fortaleza, segundo o Diário do Pará, que cita o Mapa da Cachaça. Trouxe um alambique antigo e passou a produzir aguardente, nome original da bebida, conta a revista Brazzil. A marca adota 1846 como ano de fundação, quando saiu a primeira produção. O nome, de origem tupi, quer dizer terra roxa, segundo o Diário do Pará.
No começo, a cachaça era vendida em barris de madeira levados no lombo de burros, segundo a Brazzil. A garrafa veio na segunda geração: o filho Dario Borges Telles assumiu em 1895 e passou a engarrafar a bebida à mão. Depois da morte dele, a viúva, Eugênia Menescal Campos, comandou a empresa por 13 anos, segundo o Diário do Pará.
A marca registrada que todo brasileiro reconhece apareceu em 1924, quando a terceira geração, com Paulo Campos Telles, assumiu o negócio. Naquele ano, as garrafas ganharam uma capa trançada de palha de carnaúba, pensada para protegê-las nas estradas de terra da época, segundo o Diário do Pará. O trabalho com a palha deu emprego a artesãos da região. Em 1931, a produção chegou a 120 mil litros, e em 1968 a Ypióca fez a primeira exportação, para a Alemanha. A quarta geração, com Everardo Ferreira Telles, assumiu a partir de 1970.
O casarão da primeira destilaria, em Maranguape, virou o Museu da Cachaça, com mapas, documentos, máquinas e garrafas antigas. O museu guarda o que descreve como o maior tonel de madeira do mundo, certificado pelo Guinness, segundo a Brazzil. Segundo o Diário do Pará, o espaço aparece hoje como fechado.
Em 28 de maio de 2012, a Diageo, dona do Johnnie Walker e da Smirnoff, anunciou a compra da marca por R$ 900 milhões em dinheiro. O negócio incluiu uma destilaria em Paraipaba (CE), uma engarrafadora em Fortaleza e um armazém em Guarulhos (SP). Na época, a Ypióca tinha cerca de 8% do mercado de cachaça, com 6,6 milhões de caixas de 9 litros, e era a segunda maior marca da categoria em valor.
The acquisition of Ypioca gives us the leading premium brand in the largest local spirits categoryPaul Walsh, então CEO da Diageo, no anúncio da compra
No catálogo do Bebidário também estão a Ypióca Ouro e a Ypióca Prata.
Fontes: Diageo (28/05/2012), Diário do Pará (04/06/2026), Brazzil (09/08/2007).