
Malbec, Cabernet Sauvignon ou Carménère: qual escolher
De onde vêm as três uvas, que estilo cada uma costuma ter e nove rótulos do catálogo em faixas de preço diferentes

De onde vêm as três uvas, que estilo cada uma costuma ter e nove rótulos do catálogo em faixas de preço diferentes
Malbec, Cabernet Sauvignon e Carménère são três das uvas mais comuns nos tintos argentinos e chilenos do catálogo do Bebidário. As três nasceram na França, mas cada uma entrega um estilo diferente. Abaixo, de onde vem cada uva, o que esperar dela segundo a Wine Folly e três rótulos de cada, do mais barato ao mais caro, com o sabor descrito pelos produtores.
Segundo a Wine Folly, o Malbec vem do Sudoeste da França, onde ainda aparece em Cahors, e foi levado a Mendoza no século 19 pelo botânico francês Michel Pouget; virou a uva tinta mais importante da Argentina, com destaque para o Vale de Uco e Luján de Cuyo. O estilo típico é seco e encorpado, com taninos médios, acidez de média a baixa e notas de ameixa, amora, baunilha, tabaco e cacau.
Malbec 100% de Mendoza, da Bodega Trivento, com passagem por carvalho; o enólogo da casa, Germán Di Césare, foi eleito Winemaker of the Year de 2025 por Tim Atkin MW. O produtor fala em cereja, framboesa, morango, baunilha e coco.
Malbec de vinhedos próprios entre 1.070 e 1.650 metros, em Luján de Cuyo e no Vale de Uco, com 12 meses em barricas usadas de carvalho francês. A ficha cita ameixa, cereja, violeta, caramelo e cacau; servir a 14 °C, com carnes grelhadas ou ensopadas.
Malbec 100% de três vinhedos de altitude da Catena Zapata (Gualtallary, Lunlunta e El Cepillo), fermentado com leveduras nativas e amadurecido de 11 a 13 meses em carvalho francês. A pirâmide do produtor não lista frutas: cacau no topo, tabaco e couro no corpo e grafite no final.
A Wine Folly descreve o Cabernet Sauvignon como um cruzamento natural de Cabernet Franc com Sauvignon Blanc, nascido em Bordeaux, e aponta os vales chilenos de Aconcágua, Maipo, Cachapoal e Colchagua entre suas principais regiões. É encorpado, com taninos e acidez de médios a altos e sabores de cereja preta, cassis, cedro, especiarias e grafite.
Cabernet do Valle Central, da Concha y Toro, com passagem por barrica. Segundo o produtor, cereja, amora, ameixa, pão torrado e café no topo e baunilha no corpo; servir entre 18 °C e 20 °C, com carnes vermelhas grelhadas e queijos maturados.
Corte com 86,5% de Cabernet Sauvignon do Alto Maipo (Puente Alto e Pirque), completado por Cabernet Franc, Syrah e Petit Verdot. Na safra 2022, 60% amadureceu em barricas francesas; a ficha cita cereja, amora, cedro, alcatrão e fumaça.
O tinto com que a Viña Montes começou (primeira safra em 1987): uvas de Apalta e Marchigüe, no Vale de Colchagua, com 12 meses em carvalho francês, metade novo. O produtor fala em amora, ameixa, cereja, baunilha e cacau, e recomenda decantar por 30 minutos e servir entre 15 °C e 17 °C.
Pela Wine Folly, a Carménère era uva de corte em Bordeaux até a filoxera quase acabar com ela, nos anos 1870. Chegou ao Chile em meados do século 19 e foi tomada por Merlot até 1994, quando um ampelógrafo a identificou. Tem taninos e acidez mais moderados que os dos Cabernets, notas herbáceas de pimentão e sabores de framboesa, ameixa, baunilha e páprica.
Carmenere da D.O. Vale Central, com quatro meses de guarda. A pirâmide traz ameixa, pimenta-preta e amora; a vinícola indica servir a 18 °C, com massas e queijos frescos.
Carmenere do Vale Central com passagem por barricas de carvalho americano, segundo a ficha da safra 2020. A pirâmide cita ameixa, frutas vermelhas, café e cacau no topo e amora, couro e cereja no corpo; servir entre 16 °C e 18 °C, com carnes de caça, legumes grelhados e pratos com feijão.
Carmenere orgânico do Vale de Colchagua (89% na safra 2023), com um quinto do vinho por 8 meses em madeira francesa. O produtor destaca frutas vermelhas, ameixa e carvalho francês, e sugere frango condimentado ou massas com molho vermelho.
Para carne vermelha magra ou queijo azul, a Wine Folly aponta o Malbec, de acidez mais baixa. Para carnes grelhadas, molho de pimenta e pratos de sabor forte, o Cabernet Sauvignon, de mais tanino e acidez; no perfil do catálogo, o Marques de Casa Concha e o Montes Alpha marcam 7 de 10 em taninos, contra 5 a 6 dos Malbecs e Carménères desta lista. Para chimichurri, molhos verdes, aves e pratos vegetarianos, a Carménère, de taninos mais moderados e nota herbácea. Se você gosta de tinto frutado e fácil, comece pelos rótulos mais baratos de cada uva; se gosta de estrutura, suba para os de barrica mais longa.
Preços de prateleira pesquisados em 24/09/2026 em Divvino, Zona Sul, Bistek, Savegnago e Giassi, garrafa de 750 ml; a faixa vai do menor ao maior preço, e "uma loja" indica que só uma rede tinha o vinho. Preços mudam com o tempo e de loja para loja.
Beba com moderação.
Fontes: Wine Folly, guias de Malbec e de Cabernet Sauvignon (Madeline Puckette) e de Carménère (Christine Marsiglio MW), consultados em 24/09/2026; fichas técnicas dos produtores (Trivento, Terrazas de los Andes, Catena Zapata, Concha y Toro, Viña Montes, Emiliana); pesquisa de preços do Bebidário em Divvino, Zona Sul, Bistek, Savegnago e Giassi (24/09/2026).